Os golpes online continuam a ser uma das maiores praga da internet, revela um
relatório sobre crimes digitais divulgado pelo FBI, a polícia federal
americana, na sexta-feira (12/1). O resultado - que inclui os principais golpes
de 2009 nos EUA, mas que se aplica aos internautas de todo o mundo - sugere que
não há limites para a imaginação desses criminosos.
“Os números contidos no relatório indicam que os criminosos
continuam a tirar proveito do anonimato proporcionado pela internet. Eles também
têm desenvolvido métodos cada vez mais sofisticados de enganar
consumidores. O crime na internet está evoluindo para formas com as quais
nem poderíamos imaginar cinco anos atrás”, disse, no relatório,
o diretor Donald Brackman, do Centro Nacional de Crimes de Colarinho Branco
(NW3C).
O total anual de queixas de crime relatadas ao Centro de Queixas de Crimes
na Internet (IC3), órgão resultante de parceria entre o FBI e
o NW3C, aumentou 667,8% entre 2001 e 2009.
Local de origem
O IC3 também fez um levantamento do local de origem do fraudador, com
base em informações fornecidas pela vítima, nos casos em
que os dados eram disponíveis.
Segundo esse ranking, 65,4% dos fraudadores em ação nos Estados
Unidos são residentes no próprio país; 9,9% são
do Reino Unido, 8% da Nigéria, 2,6% do Canadá e 0,7% da Malásia.
De acordo com o FBI e o site do IC3, entre os golpes mais populares de 2009
estão o do atirador, o de consulta astrológica, os golpes econômicos,
os de sites de empregos e os pop-ups maliciosos com propaganda de software antivírus
falso.
Confira os detalhes de operação de cada um deles - e evite ser
pego em armadilhas como essas.
1.Pop-up malicioso
Um dos golpes mais sujos envolve a exibição de anúncios
pop-up maliciosos para software antivírus inócuo. As vítimas
disseram ter sido expostas a anúncios que alertavam sobre a existência
de vírus ameaçadores ou de algum conteúdo supostamente
ilegal em seus PCs. Ao clicar nos pop-ups falsos, as vítimas estavam,
sem saber, baixando código malicioso.
Essas vítimas eram convencidas a comprar software antivírus para
arrumar seus computadores, mas em alguns casos isso resultava na instalação
de vírus, trojans e programas de captura de senha em seus micros. Tentativas
de contatar as empresas de software antivírus eram malsucedidas.
O IC3 recomenda aos usuários que virem essas advertências pop-up
falsas que fechem seus browsers ou desliguem seus PCs imediatamente para, mais
tarde, efetuar uma busca antivírus para ver o que aconteceu. Segundo
o FBI, esses golpistas faturaram mais de 150 milhões de dólares
no ano passado.
2.Atirador online
O golpe do atirador “online”, que ameaça matar o destinatário
da mensagem caso não receba milhares de dólares, ainda está
vivo em milhares de e-mails. Segundo o FBI, duas novas versões do esquema
começaram a aparecer em julho de 2008. Um instruía o destinatário
a ligar para um número de telefone contido na mensagem; o outro dizia
que o destinatário ou alguém que ele ama seria seqüestrado
a menos que um resgate fosse pago.
Os destinatários eram orientados a responder por e-mail em 48 horas.
O golpista então fornecia a localização de uma agência
de transferência de dinheiro, cinco minutos antes do fim do prazo, e ameaçava
fisicamente a pessoa se o resgate não fosse enviado em até 30
minutos.
Informações que identificavam a vítima eram incluídas
no e-mail, para dar a aparência de que o golpista realmente conhecia o
destinatário e seu endereço, afirma o FBI. Em alguns casos, nomes,
cargos, endereços e números de telefone de agências do governo,
de executivos ou de informações pessoais da vítima são
usados na tentativa de tornar a fraude mais autêntica, explica o FBI.
As vítimas deste golpe são geralmente instruídas a enviar
o dinheiro via Western Union ou Money Gram para um receptador no Reino Unido.
3.Bolsa-crise
Uma economia em crise abre oportunidade para fraudes. Esta envolvia chamadas
não solicitadas a respeito de “verbas de estímulo do governo”.
O IC3 recebeu diversas queixas de vítimas que recebiam ligações
telefônicas não solicitadas, com uma mensagem gravada. A voz da
mensagem parecia-se com a do presidente Barack Obama e citava supostos fundos
governamentais de ajuda, disponíveis para aqueles que se enquadrassem
em algumas regras.
As vítimas eram avisadas de que a oferta estaria disponível apenas
por tempo limitado, e eram instruídas a visitar sites como www.nevergiveitback.com
ou www.myfedmoney.com para receber o dinheiro.
Esses sites exigiam, da vítima, o fornecimento de informações
de dados pessoais. Depois, elas eram levadas a uma segunda página, para
receber a notificação de enquadramento nos critérios do
programa. Depois de completar o pedido online e pagar 28 dólares em “taxas”,
as vítimas recebiam uma mensagem que garantia a elas o recebimento de
grandes quantias de verbas de estímulo, mas isso nunca acontecia, afirma
o FBI.
4.Astrólogo de araque
De acordo com o FBI, esse tradicional golpe ressurgiu online, na forma de uma
vítima que recebe spam ou mensagens de pop-up oferecendo consultas astrológicas
gratuitas. A vítima deve apenas fornecer sua data e local de nascimento
para receber a consulta.
Depois da consulta, no entanto, a vítima é levada a comprar uma
leitura completa, com a promessa de que algo que lhe é favorável
está para acontecer. A vítima paga pela consulta completa sem
nunca recebê-la, e a maioria das tentativas de contatar o “astrólogo
profisional” via e-mail resulta na mensagem “impossível de
entregar”, afirma o FBI.
5.Emprego de mentira
Lado a lado com os golpes econômicos estão os golpes que prometem
emprego online, em vagas de trabalho em pesquisa e ou a partir de casa. No golpe
de trabalho a partir de casa, as vítimas são atraídas por
conta de uma variedade de vagas, de gerentes de pessoal a compradores secretos.
As vítimas são levadas a fornecer ao fraudador suas informações
pessoais, com a promessa de salários-hora acima da média ou do
pagamento de centenas de dólares por semana. Para algumas vítimas,
o golpista chega a prometer o envio do hardware e do software necessários
para efetuar o “trabalho”.
Esses sites podem ser tão convincentes que as vítimas frequentemente
são levadas a descontar cheques e ordens de pagamento enviados pelo correio,
para depois reenviar uma parte do dinheiro por meio de seus cheques pessoais,
dinheiro e ordens de pagamento para uma terceira parte, agindo como laranjas.
Nos golpes relacionados a pesquisas, os fraudadores publicam anúncios
que convidam à participação em uma pesquisa relacionada
à relação entre empregado e empregador durante a atual
crise econômica. Os que se inscrevem são solicitados a enviar uma
cópia de seu comprovante de salário como prova de que estão
empregados.
No entanto, depois de enviar a cópia, a vítima nunca mais ouve
o fraudador novamente. Mais tarde, a conta do empregador é subtraída
de milhares de dólares por meio de cheques fraudulentos, diz o FBI.
(Michael Cooney)