A internet é a principal responsável pelas maiores lições
de segurança da década. Sem ela, você provavelmente não
reconheceria os termos phising, cibercrime, vazamento de dados ou botnet.
O IDG Now! preparou uma lista com os cinco piores pesadelos de segurança
que atormentaram empresas, governos e pessoas nos últimos dez anos.
1. Guerra cibernética
O que começou pequeno acabou se tornando muito, muito grande. Em fevereiro
de 2000, um adolescente canadense conhecido na internet como Mafiaboy usou floods
automatizados de trafégo incompleto de internet para atacar sites como
o Amazon, CNN, Dell, eBay e Yahoo, tirando-os do ar com um ataque que é
conhecido hoje como negação de serviço (DDoS).
A pessoa por trás de Mafiaboy, Michael Calce, foi declarada culpada
de 55 a 66 acusações de travessura e condenado a oito meses de
detenção. Mais tarde, Calce escreveu um livro sobre sua experiência,
chamado "Mafiaboy: Como Quebrei a Internet e Como Ela Ainda Está
Quebrada" (Mafiaboy: How I Cracked the Internet and Why It’s Still
Broken).
Alguns especialistas dizem que todas as ameaças à segurança
fazem parte de um círculo de motivações que incluem de
diversão e lucro a política. E com os ataques DDoS não
foi diferente: criminosos oportunistas começaram a usar o método
para chantagear vários sites.
2. Malwares
Vírus e worms sempre estiveram por perto, mas no verão de 2001
um worm agressivo ameaçou tirar do ar o site oficial da Casa Branca.
Chamado de Code Red, o worm gerou uma reunião sem precedentes com o Centro
de Proteção a Infraestruturas Nacionais do FBI, o CERT, o Federal
Computer Incident Response Center (FedCIRC), o Information Technology Association
of America (ITAA), o Instituto SANS e a Microsoft.
Dois anos mais tarde, a Microsoft se uniu novamente ao Serviço Secreto
norte-americano, ao FBI e depois à Interpol para oferecer uma recompensa
de 250 mil dólares por informações sobre o paradeiro dos
responsáveis pelo SoBig, MSBlast e por outros grandes vírus da
época.
Esse tipo de cooperação pública e privada é raro,
mas aconteceu mais uma vez no começo de 2009, quando um conficker ameaçou
prejudicar a internet à meia noite do dia 1.º de abril. Isso não
aconteceu graças ao trabalho único de companhias rivais de antivírus
que colaboraram com agências governamentais sob o nome Conficker Working
Group.
3. Ataques ao MySpace, Facebook, e Twitter
No começo da década, os especialistas de segurança das
empresas tiveram problemas com o uso, pelos funcionários, de mensagens
instantâneas da AOL e do webmail do Yahoo, além de redes ponto-a-ponto.
Essas aplicações causaram falhas nos firewalls corporativos, abrindo
várias portas que criaram oportunidades para códigos maliciosos.
No final da década, as preocupações principais foram com
o Facebook, Twitter e outros aplicativos da web 2.0.
Em 2005, um adolescente assumiu a autoria do worm Samy no MySpace, algo que
destacou um problema central da web 2.0 – colaborações de
conteúdo feitas por usuários poderiam conter malware. Mesmo com
correções de privacidade, o Facebook tinha seu próprio
worm, chamado Koobface.
Em 2009, o Twitter também passou pelo mesmo problema, atraindo seu próprio
malware e colocando em destaque os riscos das URLs com tamanho reduzido.
4. Vírus organizados e crime organizado
Depois do ataque do vírus Melissa em 1999, os vírus de e-mail
infestaram os PCs no ano seguinte com o ILOVEYOU, que congestionou os servidores
de e-mail de todo o mundo em apenas cinco horas.
Como os filtros de spam ajudaram a bloquear e-mails em massa, usuários
mal intencionados tiveram que explorar outras possibilidades, como worms que
se espalham sozinhos.
Pouco depois de o programa de recompensa da Microsoft ter ajudado a prender
Sven Jaschen, autor do Netsky e do Sasser, em 2004, a imagem de um único
autor criando virus no porão da casa dos pais sumiu, dando lugar ao crime
organizado.
5. Botnets
Com o auxílio financeiro do crime organizado, as máfias se ampliaram
e aperfeiçoaram os malwares.
Em 2007, o worm Storm começou a se comunicar com outros computadores
comprometidos pela mesma praga, formando uma rede de computadores comprometidos,
todos usando o protocolo ponto-a-ponto Overnet. Esse protocolo permitia ao operador
enviar uma campanha de spam ou usar os computadores para lançar um ataque
DDoS.
O Storm não foi o único. O Nugache, outro vírus, também
estava construindo uma botnet. E há muitos outros. Hoje, as botnets se
espalharam aos sistemas operacionais Mac OS e Linux.
(Robert Vamosi)