A uma semana da liberação, pela Adobe, de uma correção
para uma vulnerabilidade crítica em seu software de PDF, hackers estão
explorando a brecha tanto com ataques direcionados como distribuições
em grande escala, disse um pesquisador nesta quinta-feira (7/1).
O Centro de Tempestades na Internet (ISC, na sigla em inglês) do SANS
Institute revelou na segunda-feira (4/1) ter recebido amostras de um documento
PDF que foi utilizado para capturar um PC, explorando um bug reconhecido pela
Adobe em 14/12.
No mês passado, a Adobe disse que não iria corrigir o bug antes
de 12/1. Na análise do código, o analista do ISC Bojan Zdrnja
considerou o ataque via PDF "sofisficado" e seu uso de código
embutido, do tipo ovo-de-páscoa, "engenhoso".
Esse tipo de código (chamado, em inglês, de egg-hunt shellcode)
é um termo para uma invasão em múltiplos estágios,
usada quando o hacker não é capaz de determinar onde, numa faixa
de endereços de memória utilizados por um processo, o código
vai terminar.
Nesta quinta-feira, o gerente de inteligência em segurança da
Symantec, Joshua Talbot, confirmou que o PDF malicioso explorou a vulnerabilidade
do Adobe Reader e do Acrobat, Mas, ao contrário de Zdrnja, disse não
ver nada de extraordinário. "Não é algo particularmente
novo ou sofisticado, disse Talbot.
Pico de ataques
Apesar de o PDF malicioso descrito pelo ISC ter sido visto em quantidades limitadas
– ele foi projetado para alvos de alto perfil, como executivos de empresas
ou pessoal com acesso a senhas de rede –, a Symantec monitorou ataques
maiores explorando o bug do PDF. Pelo menos um ataque gerou mais de 34 mil detecções
na rede global da Symantec, tendo seu pico de ocorrências em 31/12.
“Estamos definitivamente vendo alguma atividade aqui, já que a
vulnerabilidade ainda não foi corrigida”, disse Talbot. Quando
perguntado sobre a dimensão desses ataques, Talbot respondeu que “fica
na classe dos que estão sendo ativamente explorados. Isso mostra que
duas coisas estão acontecendo... Que os atacantes estão elaborando
ataques com objetivos específicos, e que há pessoas que estão
tentando distribuir exploits para tantas pessoas quanto possíveis”.
Como outros especialistas, Talbot recomenda aos usuários desabilitar
o JavaScript no Reader e no Acrobat para proteger a si mesmos até terça-feira,
que é quando a Adobe deverá entregar a correção.
As atualizações para Reader e Acrobat, que vão incluir
correções para outras vulnerabilidades além desta descoberta
no mês passado, será postada no site de suporte de segurança
da Adobe em 12/1.