O Bradesco decidiu expandir o uso da biometria nos seus caixas eletrônicos
para reforçar a segurança durante as transações. A
instituição financeira estima que até o final de 2011 aproximadamente
70% dos seus ATMs estejam equipados com leitores que reconhecem os correntistas
pelas veias da palma da mão.
Para atingir essa meta, o Bradesco investirá este ano 250 milhões
reais na compra de mais oito mil terminais equipados com o sistema PalmSecure,
desenvolvido pela fabricante japonesa Fujitsu. A tecnologia permite que os correntistas
sejam identificados e autentiquem transações bancárias
por meio da característica vascular da mão, capturada pelo sensor
infravermelho do dispositivo.
Atualmente, segundo o vice-presidente de TI do Bradesco, Laércio Albino
César, esse sistema está presente em 40% dos caixas eletrônicos
do banco espalhados pelo Brasil. Ou seja, 12.500 dos 30.650 dos ATMs instalados
em agências estão equipados com leitores da tecnologia de biometria
adotada pelo banco.
Albino prevê chegar ao final de 2011 com uma base de 20 mil terminais
eletrônicos equipados com o dispositivo PalmSecure. Com a disseminação
da tecnologia, o Bradesco espera poder substituir as senhas convencionais durante
as operações nos terminais de autoatendimento.
“Pensamos em eliminar as senhas porque constatamos que o reconhecimento
biométrico é seguro. Em mais de dois anos, não registramos
nenhum caso de fraude”, garante Albino.
Adesão dos clientes
O Bradesco iniciou os testes dos terminais eletrônicos com leitura biométrica
da palma da mão em maio de 2006. Depois da experiência, na sede
do banco, na Cidade de Deus em Osasco, a instituição estendeu
a tecnologia para outras regiões.
Entretanto, para ser reconhecido biometricamente durante as transações
nos ATMs, o correntista precisa fazer um cadastro em sua agência. De acordo
com Albino, 1,5 milhão dos 22 milhões de clientes do Bradesco
já aderiram ao sistema de autenticação. A expectativa do
banco é de que até final de 2011 esse número aumente para
5 milhões.
Segundo Albino, boa parte dos clientes que se cadastraram para usar a biometria
nos ATMs são aposentados que se sentem mais à vontade com a tecnologia
por não precisarem mais decorar as senhas de letras, solicitada nas operações
pelos terminais.
Além de ser mais segura que o uso de senha convencional, o executivo
do Bradesco destaca que a biometria reduz o tempo gasto para realização
das transações nos terminais, o que contribui para diminuir o
tamanho das filas.
Interesse da Alemanha pelo modelo
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) discute há
algum tempo com seus associados o uso da biometria nos serviços bancários
para aumentar a segurança. Entretanto, a instituição avalia
outros métodos, além do adotado pelo Bradesco. Porém, ainda
não há um consenso no setor sobre qual a tecnologia mais adequada.
No caso do Bradesco, Albino afirma que não há planos de implantação
de outras tecnologias de biometria. “O Bradesco já definiu a leitura
da palma da mão como a mais correta e casou com ela. Fizemos grandes
investimentos nesse sistema, que já era adotado no Japão. Consideramos
esse sistema o mais adequado”, diz o executivo.
O vice-presidente de TI do Bradesco afirma que uma demonstração
de que o banco está no caminho certo é o fato de a Alemanha estar
interessada em conhecer a experiência do banco brasileiro. Um especialista
da instituição fará uma exposição sobre projeto
do Bradesco naquele país para a associação de bancos local,
que poderá vir a adotar o modelo.