O governo chinês está por trás dos recentes ataques feitos
a sites do governo e de empresas norte-americanas ,em uma tentativa de anular
críticas feitas à China, de acordo com um especialista nas relações
entre os dois países.
Não há provas incontestáveis de que os recentes ataques
ao Google e a dezenas de outras empresas norte-americanas tenham ligação
direta com o governo chinês, mas a lógica apontaria para o envolvimento
oficial da China, afirmou o membro da Comissão de Revisão de Segurança
e Economia dos Estados Unidos e China, Larry Wortzel, na quarta-feira (10/3).
O Google se queixou em janeiro de que ele e diversas outras empresas dos Estados
Unidos tinham sido vítimas recentes de ataques vindos de dentro da China.
Não está claro quem ordenou o ataque, mas tudo indica que o governo
chinês está envolvido, disse Wortzel, que já trabalhou na
embaixada dos Estados Unidos na China.
"Existe um grupo de crackers experientes na China que ataca sistemas para
espionar dissidentes políticos", afirma Wortzel. Agências
do governo chinês e do Partido Comunista seriam os receptores das informações
obtidas pelos criminosos, afirmou.
“Admito que não posso provar isso”, disse Wortzel. “Pode
ser que existam grupos de crackers patriotas na China que odeiam críticas
ao Partido Comunista e tomariam tais ações. Mas acredito que os
ataques persistentes e sistemáticos, tanto os feitos aos Estados Unidos
quanto a outros na própria China, na Alemanha e no Reino Unido, foram
direcionados pelo Estado.”
Além dos ataques ao Google e a outras empresas norte-americanas, chineses
também estariam mirando informações científicas,
técnicas e militares dos Estados Unidos, segundo o especialista.
“Nem toda essa ciberespionagem deve ser controlada pelo governo”,
ele disse. “Talvez haja empresários financiando esses crimes na
China para empresas locais ou para os 54 parques de ciência e tecnologia
mantidos pelo governo.”
Mas o Departamento de Justiça está perseguindo diversos casos
de espionagem envolvendo tecnologias de defesa dos Estados Unidos que são
usadas por oficiais chineses não-identificados, de acordo com Wortzel.
“Sejamos sinceros, uma pessoa lógica concluiria que alguma atividade
está sendo feita pelo governo chinês.”
(Grant Gross)