O Chrome OS, do Google, será esmiuçado por hackers em 2010, em grande
parte porque será o "novo garoto do pedaço", previu nesta
quarta-feira (30/12) um pesquisador de segurança.
Segundo o diretor de gerenciamento de ameaças da McAfee, Sam Masiello,
o Chrome OS será alvo de ataques, provavelmente antes mesmo de ser lançado
oficialmente.
"Ele será o novo garoto do pedaço, e isto é um dos
principais motivos que atrairão os cibercriminosos para o Chrome OS",
disse Masiello. "A mesma coisa aconteceu com o Windows Vista e com o Windows
7, mesmo antes que tivessm sido terminados. Como é novo, o Chrome OS
tem sido alvo de interesse dos pesquisadores de segurança, e também
será examinado por cibercriminosos."
O sistema operacional do Google foi anunciado em julho e liberado como código
aberto em novembro, mas sua estreia em netbooks não deverá ocorrer
antes do final de 2010.
Aderência ao HTML 5
Outra razão pela qual os hackers vão mirar no Chrome OS é
sua aderência ao HTML 5, a revisão inacabada da linguagem de hipertexto
que pretende substituir a confusão atual de plug-ins de mídia,
como Adobe Flash e Microsoft Silverlight, por recursos mais avançados
que os desenvolvedores poderão construir diretamente em seus sites.
O HTML 5 também admite o uso de aplicações web offline,
que permitirá o acesso a serviços e softwares da internet mesmo
quando o micro estiver desconectado da rede. "À medida que as aplicações
da web ricas em recursos ficam mais próximas, as fronteiras entre online
e offline tornam-se mais embaçadas", explica Masiello. "Os
cibercriminosos serão capazes de atacar os usuários quando estiverem
offline, tal como acontece online."
Outro software do Google deverá ganhar fama no ano que vem - e não
de modo positivo, diz Masiello. O Google Wave, software de colaboração
e comunicação da gigante de buscas, pode ser a ferramenta perfeita
para controlar uma botnet, que é como os especialistas chamam os conjuntos
de computadores já comprometidos por softwares maliciosos.
"O Google Wave usa XMPP (eXtensible Messaging and Presence Protocol),
que permite a aplicações web controlarem-se mutuamente",
explica Masiello. "Isso poderia ser usado para operações
descentralizadas de comando e controle de uma botnet, de forma que o desligamento
de um único provedor de acesso ou empresa de hospedagem teria impacto
zero (no combate à invasão)."
Mas apesar de a McAfee soar o alarme para o Chrome OS, o HTML 5 e o Google
Wave, Masiello reconhece que as ações em 2010 serão limitadas
provavelmente a ataques do tipo prova-de-conceito ou com um baixo nível
de atividade, já que o Chrome não surgirá antes do final
do ano e que o HTML 5 ainda não foi terminado. "Em relação
ao HTML 5 e ao Google, ainda temos tempo", diz.
(Gregg Keizer)