Uma pesquisa inédita encomendada pela Federação do Comércio
do Estado de São Paulo (Fecomercio) aponta que 57% dos internautas temem
fraudes em compras feitas pela internet. Feito com mil pessoas na capital paulista,
o estudo foi divulgado na manhã desta segunda-feira (3/8) durante a abertura
do Congresso Crimes Eletrônicos e Formas de Proteção, evento
realizado na sede da Fecomercio e que se estenderá até amanhã.
A pesquisa também constata que 76% dos entrevistados usam algum tipo de
software antivírus. Mesmo assim, 14% se disseram vítimas - ou têm
alguém na família que passou pelo problema – de operações
fraulentas realizadas pela rede. “O índice de 14% pode parecer pouco,
mas a disseminação de fraudes no chamado 'boca a boca' tem impacto
muito maior no comércio”, diz o advogado Renato Opice Blum, presidente
do Conselho de Tecnologia da Informação da Fecomercio.
Entre as pessoas que enfrentaram problemas nas operações virtuais,
37% sofreram desvio de dinheiro de suas contas bancárias, 24% foram alvo
de compras indevidas com uso de cartão de crédito e 19% tiveram
seus dados pessoais utilizados de forma não autorizada.
Outro dado apresentado durante o congresso foi o levantamento do Centro de Estudos,
Respostas e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (Cert.br),
que verificou que, entre janeiro e julho deste ano, já foram detectados
300 mil incidentes virtuais no Brasil - cerca de 75 mil ocorrências a mais
que em todo o ano de 2008, quando foram registrados 222.528 crimes digitais.
Desses crimes, 75% foram de fraudes, 16,5% foram de scans (programas que fazem
varreduras na rede em busca de vulnerabilidades) e 4,37% foram de envio de vírus.
Responsabilidade do usuário
O vice-presidente do Conselho de Tecnologia da Informação da Fecomercio,
Rony Vainzof, lembrou que há cerca de dois anos, um juiz do Tribunal de
Justiça do Rio Grande do Sul julgou um usuário culpado por ter sido
vítima de um crime virtual. "Hoje as empresas têm obrigação
de orientar os clientes sobre os riscos dos serviços eletrônicos
e as formas de se proteger. Com isso, os juízes estão começando
a considerar que o usuário deve ter noções mínimas
de segurança", disse o advogado.
Vainzof explicou que, levando em conta critérios como nível de instrução
do usuário ou sua idade e, caso ignore propositalmente tais recomendações
de segurança, a culpa de tais crimes pode ser atribuída ao usuário.
"Ao passo em que temos maior inclusão digital, precisamos, sem dúvida,
aumentar a educação e a conscientização das pessoas.
As empresas têm suas responsabilidades, mas os usuários devem ser
responsáveis", completou.