Cibercriminosos brasileiros estão usando as redes sociais como plataforma
para a distribuição de malware, principalmente trojans bancários,
aponta uma pesquisa da empresa de segurança RSA.
Embora usar recursos públicos para fazer o update de malware não
seja uma novidade, a RSA descobriu que adotar redes sociais como Twitter, Facebook
e Orkut é uma inovação brasileira.
O esquema funciona da seguinte maneira: o cracker cria um perfil falso em uma
rede. Nesse perfil, ele publica um código criptografado, que, para o
leitor comum, parece um emaranhado de letras sem sentido. Esse código
é uma atualização para um malware. Quando um PC é
infectado (por qualquer meio), o trojan busca por esse endereço (o perfil,
no caso) e lê o código de update. "Assim o criminoso atualiza
o malware usando as redes sociais", explica Fabio Assolini, analista de
malware da Kaspersky no Brasil.
O usuário que visitar esse perfil não será infectado,
explica Assolini.
A vantagem das redes sociais é que elas permitem a publicação
de praticamente qualquer conteúdo, inclusive linhas de código
sem quebra de texto.
A RSA analisou um ataque em uma rede social (não especificada), feito
por cibercriminosos brasileiros. O cracker postou um código em um perfil
(veja imagem) e deixou a página lá, aparentemente inativa. A rede
social não tem como saber que o conteúdo é malicioso, porque
a plataforma, por sua natureza, permite a publicação de links,
tags HTML e códigos.
Outra plataforma sendo explorada pelos crackers é o RSS do Twitter.
Nessa técnica, o cibercriminoso cria um falso perfil no microblog. Ao
se logar em um determinado e-mail, o trojan periodicamente checa por novas instruções
enviadas pelo feed RSS do Twitter. Cada novo comando aparece como um post na
rede, e contém instruções para o vírus.
O Google Groups permite até uma "conversa" entre os trojans.
Depois de se instalar em um micro, o vírus loga-se uma conta do Gmail
e pede uma página de um newsgroup criado pelo cibercriminoso. O trojan
executa os comandos mais recentes publicados na página e até dá
uma resposta, como post para o mesmo newsgroup.
Segundo o especialista da Kaspersky, o uso das redes sociais facilita a vida
dos crackers. "Tirar uma página com malware do ar é fácil,
porque basta avisar o provedor. Já um perfil 'escondido' em uma rede
é bem mais difícil de detectar", explica.