Onze parlamentares dos EUA pediram à Comissão Federal de Comércio
(FTC, na sigla em inglês) que investigue o serviço online Buzz, do
Google, por quebra de privacidade do consumidor.
Os deputados - seis democratas e cinco republicanos - ressaltaram, na carta
que enviaram, que o Buzz expôs, nos primeiros dias de operação,
informações sigilosas de usuários do Gmail a pessoas estranhas.
Em um dos casos, uma menina de 9 anos compartilhou, sem querer, sua lista de
contatos no Gmail com uma pessoa cujo nome tinha "conotações
sexuais", afirmaram os parlamentares no documento, que foi enviado na sexta
(26/3) e divulgado nesta segunda-feira (29/3).
"Por causa do grande número de pessoas que tiveram sua privacidade
online afetada por ferramentas como essa - tanto direta como indiretamente -,
sentimos que essas queixas exigem uma análise, por esta comissão,
da divulgação pública de dados pessoais de consumidores
por meio do Google Buzz", alega a carta, criada por iniciativa do deputado
democrata John Barrow.
Lista pública
Na versão pública original do Buzz, lançada em fevereiro,
o programa compilou uma lista de contatos do Gmail com os quais os usuários
se comunicavam com mais frequência e fez com que eles os seguissem de
forma automática.
Essa lista foi tornada pública, dando a estranhos acesso aos contatos
dos usuários do Buzz. Imediatamente houve uma série de queixas
dos usuários do Gmail, e em questão de dias o Google implantou
mudanças no Buzz.
Em resposta à carta, uma porta-voz do Google disse que a transparência
e o controle são importantes para a empresa. "Quando percebemos
que, sem querer, tinhamos deixado muitos de nossos usuários descontentes,
agimos rapidamente para aplicar melhorias significativas ao produto, para responder
às queixas", ela disse, repetindo o que o Google já havia
dito sobre o Buzz. "Nossa porta está sempre aberta para discutir
modos adicionais de melhorar nossos produtos e serviços."
Os parlamentares pedem ao FTC que obtenha respostas do Google para quatro questões,
incluindo se a empresa vai revisar sua política de privacidade para pedir
o consentimento dos consumidores antes de compartilhar suas informações.
Eles também querem saber se o Google estava usando a informação
pessoal coletada com o Buzz para oferecer anúncios personalizados.
Os deputados também questionam como a compra da empresa de publicidade
móvel AdMob pelo Google afeta a privacidade do consumidor.
Em fevereiro, o Centro de Informações sobre Privacidade Eletrônica
(Epic, na sigla em inglês) entrou com uma queixa na FTC, alegando que
o Google Buzz cometeu práticas injustas e enganosas que violaram a política
de privacidade do Google e leis federais de grampo.
(Grant Gross)