A Electronic Frontier Foundation (EFF) criou uma ferramenta online que mostra
em detalhes as informações que um navegador web revela, o que poderia
levantar questões de privacidade em sites que tentam identificar usuários
de acordo com seu perfil.
A ferramenta, chamada Panopticlick, leva apenas alguns segundos para listar
as informações que um navegador web divulga quando um usuário
visita um site. A coleção de dados inclui sistema operacional,
números de versão de plug-ins, fontes do sistema e até
tamanho e número de cores do monitor.
Tomadas em conjunto, essas informações são uma 'impressão
digital única' para um PC específico, o que poderia ser usado
para identificar um visitante particular em um site web, alega a EFF. Segundo
a entidade, empresas de publicidade já usam tais técnicas.
"Eles desenvolvem esses métodos em segredo, e nem sempre contam
ao mundo o que têm descoberto", escreveu o tecnólogo Peter
Eckersley, da EFF, no blog da organização. "Mas esta experiência
nos ajudará a pensar sobre os riscos à privacidade a que os browsers
nos expõem."
Banco de dados
O Panopticlick registra de forma anônima a configuração
do sistema do visitante, e então a compara com um banco de dados com
5 milhões de outras configurações. Na sexta-feira, o site
dizia já ter coletado 220.572 'impressões digitais'.
Os usuários estão enganados se pensam que o simples desligar
dos cookies - pequenos arquivos de texto armazenados nas pastas do navegador,
e que ajudam a reconhecer os visitantes, entre outras funções
- vão proteger sua privacidade.
No blog da EFF, Eckersley escreveu que a sequência de caracteres "user-agent"
de um navegador revela o sistema operacional, a versão precisa do navegador
e o tipo de browser utilizado. Apenas um em 1.500 internautas tem a mesma sequência,
diz Eckersley.
Uma sequência como essa não é suficiente para rastrear
alguém, mas "em combinação com outros detalhes, como
geolocalização ou um código de CEP específico ou
um plug-in incomum instalado, essa sequência se torna um problema real",
nota.
Smartphones
Para aumentar o anonimato, a EFF recomenda o uso de um navegador comum, como
a última versão do Firefox, com uma versão recente do sistema
operacional Windows. Desligar o JavaScript é outra opção,
já que é com ele que os sites detectam plug-ins e fontes, mas
isso pode afetar a forma como são exibidos os sites.
Outra opção é usar um navegador móvel, diz a EFF.
"As versões atuais do iPhone, do Android e do BlackBerry não
variam muito com respeito a plug-ins, fontes instaladas ou tamanho de tela",
diz a EFF. "Esta situação poderá mudar no futuro,
mas até que isso não aconteça, a maioria desses aparelhos
são bem menos identificáveis que qualquer tipo de PC de mesa."
(Jeremy Kirk)