O mecanismo embutido que permite a muitos provedores de Internet grampear as comunicações
para colaborar com investigações policiais está sujeito a
abusos de pessoas infiltradas que trabalham para esses mesmos provedores.
Isso poderia resultar na invasão das comunicações por
pessoas e organizações que não têm a aprovação
judicial necessária, alertou Tom Cross, diretor de pesquisas da divisão
X-Force Research da IBM, durante a conferência de segurança Black
Hat 2010.
Os roteadores da Cisco que exploram as redes internas do provedor têm
uma fraqueza: eles não criam armadilhas quando passwords inválidas
são experimentadas de forma contínua, como seria o caso se alguém
tentasse encontrar uma senha usando força bruta. Isso deixa a máquina
aberta a ataques e não fornece qualquer aviso aos administradores de
rede.
Além disso, os logs que seriam gravados pelo roteador quando este recebesse
tráfego de uma armadilha podem ser desligados. Dessa forma, não
haveria rastro para auditar, pois não seriam feitos registros do grampo
efetuado, disse o diretor da IBM.
Sem rastros
“Para mim, isso é bizarro”, argumentou Cross, porque assim
fica impossível demonstrar que alguém grampeou as comunicações
ilegalmente. Ele disse entender que as autoridades queiram o recurso porque
ela previne que pessoas internas ao provedor verifiquem os logs para identificar
o que a polícia estaria grampeando para, a seguir, avisar as pessoas
e empresas sob investigação. Mas ele insiste: “Não
há como ver se uma pessoa está mentindo se ela disser que não
grampeou uma linha”.
Outra fraqueza é que o roteador pode enviar os dados grampeados para
qualquer lugar, não apenas para o aparelho mediador da rede do provedor
que supostamente seria utilizado para receber os dados grampeados, disse.
Ter acesso aos roteadores-chave é difícil a quem está
de fora das redes do provedor de serviço, mas as pessoas com acesso à
rede do provedor poderiam fazê-lo relativamente fácil, disse. “É
meio caminho andado para os hackers”, disse Cross. “é um
caminho mais fácil e barato de se eusar e o mais provável de ocorrer”,
disse.
O problema é mais complexo, completou o executivo, porque muitos dos
aparelhos usados em esquemas de grampo não são abertos para avaliação
pública. Cross disse que ganhou conhecimento sobre a implementação
da Cisco porque a empresa o apresentou para avaliação pública
quando o submeteu como um padrão ao IETF, a força-tarefa de engenharia
da Internet. Outros aparelhos não têm de atingir padrões
e o modo como funcionam é mantido em segredo, disse.
(Tim Greene)