Os ataques na internet ganham cada vez mais conotação política, e as empresas devem se preparar caso não queiram ser atingidas.
Estas são alguns dos resultados do 5.º Relatório de Criminologia Virtual de 2009, divulgada mundialmente pela McAfee nesta terça-feira (17/11).
Com o título "Virtualmente real - A era da guerra cibernética", o documento chama atenção para o crescente caráter político dos ataques na internet.
Um exemplo seriam as ofensivas à Geórgia durante a guerra da Ossétia do Sul na Ásia, em 2008.
Fogo cruzado
"Se um grande conflito cibernético entre países vier a ocorrer, é muito provável que o setor privado seja pego no fogo cruzado", alerta o relatório.
O documento inclui cinco países na lista dos que vêm desenvolvendo sistemas cibernéticos de defesa: Estados Unidos, França, Israel, Rússia e China.
No entanto, a empresa lamenta que o debate sobre guerra cibernética ainda esteja ocorrendo entre portas fechadas. "Governos, corporações e cidadãos têm interesse no futuro da internet", enfatiza.
A necessidade de maior cooperação internacional é apontada, no relatório, pelo diretor do Departamento de Segurança da Informação e Comunicações da Presidência da República, Raphael Mandarino Junior.
“Como as ameaças na internet são globais por natureza, a luta para acompanhar essa evolução exige uma estrutura jurídica aprimorada”, disse o diretor.
Pela definição
Para definir o que é guerra cibernética, a McAfee propõe analisar quatro quesitos: origem, consequência, motivação e sofisticação.
Se o ataque foi realizado por um país, causou danos, teve motivação política ou exigiu planejamento complexo, então é provável que se esteja diante de uma batalha cibernética.
Uma noção revista pela McAfee é que não há mais distinção entre crime cibernético e guerra cibernética, já que, segundo o relatório, alguns países consideram organizações criminosas como "aliadas".
Alvos preferidos
O relatório cita especialistas para afirmar que as infraestruturas dos países, incluindo o sistema bancário e financeiro, refinarias, redes elétricas, de água e esgoto, entre outras - são alvos prováveis.
"Se adversários quisessem atacar países na internet, eles escolheriam alvos com os quais pudessem infligir os maiores impactos com o mínimo de esforço", disse ao relatório Masaki Ishiguro , pesquisador de segurança da informação, do Instituto de Pesquisa da Mitsubishi.
O desafio do setor privado será preparar-se para a contingência de um ataque sem depender unicamente dos governos, estabelecendo o que a McAfee define como "defesa ativa".
Colaboração mútua
Em muitos casos, em caso de ataque, os próprios países poderão precisar da ajuda de empresas privadas.
A professora Dorothy Denning, da Escola Naval de Pós-graduação, ouvida pelo relatório, ressalta que provedores de internet e empresas de segurança já evitaram ataques.
Nesse aspecto, o relatório ressalta a iniciativa brasileira de criar uma lei obrigando provedores a manter registros de acesso à internet por três anos.
A consultora Vanda Scartezini, da Pólo, disse, no relatório, que esse é o equilíbrio ideal, pois “as empresas de telecomunicações, embora possam ajudar os governos a identificar os ataques, não podem ser responsabilizadas pelo conteúdo da internet.” |