O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, anunciou na quinta-feira
(29/7) que as práticas de segurança da informação
daquele país serão revistas depois que dezenas de milhares de documentos
secretos de guerra foram parar no site WikiLeaks.
Em um encontro com a imprensa, Gates disse que algumas mudanças na segurança
já estão ocorrendo “em campo” – as zonas de
guerra no Afeganistão e no Iraque – para prevenir um novo vazamento.
As mudanças incluem procedimentos mais controlados para o acesso e transporte
de informação classificada, disse Gates.
Na prática, Gates disse que há poucas restrições
no uso e na distribuição de material sigiloso nas linhas de frente.
Se o vazamento tivesse “ocorrido em um quartel general dentro dos Estados
Unidos”, afirmou Gates, seria “bastante provável que o tivéssemos
detectado”.
Gates disse ainda que o FBI foi designado para investigar o vazamento. O número
de documentos liberados tem sido estimado agora em 77 mil.
Informação útil
Durante a primeira guerra no Iraque, tornou-se evidente “como os comandantes
dos batalhões e das companhias recebiam tão pouca informação
útil de inteligência”, disse Gates.
Desde então, os militares mudaram seu procedimento, enviando “o
máximo de informação tão longe quanto possível,
o que significa divulgá-la em canais secretos aos quais quase todos com
uniforme têm acesso – e, obviamente, também muitos civis”,
disse.
“Nós queremos que aqueles soldados em uma base operacional distante
tenham acesso a todas as informações que puderem”, disse
Gates.
Gates disse que existem “soluções tecnológicas”
para o dilema, mas elas não estão disponíveis imediatamente.
O WikiLeaks publica materiais privados e governamentais restritos e sigilosos
vazados por indivíduos cujas identidades desconhece. O grupo, que tem
base na Suécia, concentra seu foco na autenticidade dos documentos e
não na pessoa que os trouxe, cuja identidade permanece em segredo para
a organização.
Oficiais das Forças Armadas dos EUA criticaram amplamente a atitude
do WikiLeaks e estão analisando os documentos vazados para fazer um balanço
dos prejuízos.
O almirante Mike Mullen, presidente da Junta de Chefes das Forças Armadas
dos EUA, foi incisivo em suas críticas ao WikiLeaks durante a entrevista
coletiva. “A verdade é que eles já podem ter em suas mãos
o sangue de alguns jovens soldados ou de uma família afegã”,
disse Mullen.
“Discorde da guerra o quanto quiser, combata a política, desafie
a mim ou a um dos comandantes em terra sobre as decisões que tomamos
para cumprir as missões que nos foram confiadas”, disse Mullen.
“Mas não coloque a vida daqueles que foram arriscar suas vidas
voluntariamente em mais risco ainda, apenas para satisfazer sua necessidade
de provar uma questão.”
O fundador da WikiLeaks Julian Assange tem indicado que milhares de documentos
militares ainda não foram publicados. Robert Gibbs, secretário
de imprensa da Casa Branca, clamou para que nenhum documento adicional fosse
liberado.
Em uma entrevista à rede de TV americana ABC, Assange reafirmou sua
defesa da liberação dos documentos e disse que eles mostram uma
“negligência em escala maciça”.
Ainda não está claro se o WikiLeaks vai liberar outros documentos,
e tudo que Assange disse sobre isso é que eles ainda estão sob
análise.
(Patrick Thibodeau)