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Mudanças em sistema do Google não assustam mercado de buscas
O Google anunciou nesta terça-feira (11/8) uma nova arquitetura no seu sistema de busca, chamada “Caffeine”, que mudará a maneira como o buscador mais popular do planeta indexa, classifica e reproduz conteúdos procurados. O novo sistema ainda não tem data para entrar no ar.

Em post publicado no Webmaster Central Blog, o líder da equipe antispam do Google, Matt Cutts, relata três principais mudanças que o “Caffeine” introduzirá no serviço de busca: vasculhar uma grande parte da web, indexar as páginas e determinar suas reputações e criar um ranking e reproduzir as páginas mais relevantes para o usuário.

“Essa atualização será principalmente nos bastidores: estamos reescrevendo a fundação de partes da nossa infra-estrutura de busca", afirmou Cutts em seu blog pessoal.

A tecnologia que norteia o total de mais de 9,1 bilhões de buscas realizadas no Google em junho de 2009, segundo a consultoria comScore, chama-se PageRank, um algoritmo que indica quais são os sites mais importantes para os termos procurados pelo usuário.

A partir do momento em que o Google muda essas regras com o “Caffeine”, como fica a milionária indústria da otimização de sites para buscadores, conhecida pela sigla em inglês SEO?

O gerente de SEO da agência de otimização de sites Cadastra, Erick Formaggio, traça um paralelo com outro produto da empresa para diminuir qualquer potencial de risco. “Foi a mesma coisa quando implementaram a Busca Universal: tivemos que aprender algumas regras a mais para indexação de resultado. Com o ‘Caffeine’, algumas outras serão agregadas à rotina das agências."

Mais específica, a gerente de SEO da Mídia Click, Débora Alonso, segue o pensamento de Formaggio. Ela acredita que "a essência (das técnicas de SEO) vai continuar a funcionar", como no caso de restrições impostas pelo Google a atitudes que melhoravam - nem sempre de maneira ética - a relevância de determinados sites.

Os principais afetados, segundo ela, serão sites que tentam burlar o sistema usado pelo Google para determinar a relevância de uma página com “estratégias exageradas”, como “duplicar conteúdo ou usar uma quantidade muito grande de links no texto.”

De maneira geral, Formaggio e Alonso concordam que o principal beneficiado pelo “Caffeine” será o usuário, pois ele terá acesso a uma lista filtrada de resultados e, por consequência , mais relevante, algo obtido também com a abertura para respostas de desenvolvedores.

Além do aumento no banco de dados, que permitirá ao Google comparar páginas para determinar qual a mais relevante, a abertura para opiniões fará com que o mercado de SEO indique sites que burlam as regras do buscador e que escapavam da filtragem automática. “Somando tudo isso, o Google, com 'Caffeine', vai entregar para o usuário um resultado diferente e mais relevante”, acredita Alonso.

O Google colocou no ar uma versão de teste para mostrar como seu buscador funcionará com o “Caffeine” e pediu que desenvolvedores indiquem mudanças na categorização de sites do sistema atual para o novo, diz Cutts.

Em testes realizados pelo IDG Now!, as diferenças nos rankings foram pequenas, restritas à mudança de posicionamento, na grande maioria das vezes, dos resultados mais próximos ao pé da página.

As alterações que mais chamavam a atenção dizem respeito à Busca Universal, sistema no qual vídeos, imagens, notícias, mapas e outros tipos de conteúdo são integrados à lista de resultados, em novidade também detectada pela executiva da Mídia Click, Débora Alonso.

O maior destaque para notícias nos resultados do “Caffeine”, segundo ela, forçará noticiários e responsáveis por conteúdo noticioso online a prestarem mais atenção em estratégias de SEO, para que possam se beneficiar do crescente tráfego vindo da página inicial do Google.

Nos experimentos realizados, blocos com vídeos e notícias apareciam no meio da lista de resultados, enquanto as imagens referentes à busca praticamente desapareceram. Segundo o Google, o “Caffeine” também reproduzirá os resultados de modo mais rápido.

As mudanças, analisa Débora, também ajudarão a melhorar o posicionamento de grandes marcas na comparação com outros resultados, filtrando conteúdo “única e exclusivamente (publicado) para ficar bem posicionado”.

Com o “Caffeine”, o Google combaterá a maneira como muitos resultados de buscas se tornam ruins e cansativos. Filtrará sites e agências que apelam para estratégias com o objetivo de ganhar relevância entre os resultados em curto prazo, afirma.

Nenhuma agência, porém, deve passar incólume. “O Google não fez nenhuma mudança nos últimos anos que não nos obrigou a ter trabalho novamente. As regras sempre variaram, e o Google trabalha para humanizar e para tirar o coringa das nossas mangas”, compara Formaggio.

Tradicionalmente, o Google não comenta as mudanças realizadas no algoritmo do seu buscador – a versão de testes do “Caffeine” ameniza, mas não quebra, o tradicional sigilo do gigante das buscas.

Todas as mudanças anteriores promovidas pelo Google atingiram, principalmente, a profissionais que manipulavam o algoritmo, explica o especialista Paulo Rodrigo Teixeira, autor do livro “SEO – Otimização de sites”. “As mudanças (do “Caffeine”) são bem-vindas para agências que fazem SEO corretamente, sem apelar para ‘o lado negro da força’”.
Data: 11/08/2009 Fonte: IDG Now!
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