Em 2010, a Polícia Federal coloca em prática os projetos Oráculo,
de combate a invasões de sistemas, e Pentáculo para mapear golpes
online no Brasil.
Contando com um novos sistema de coleta e análise de incidentes, a PF
tem a missão de mapear e combater 50% dos grupos de cibercriminosos em
2010 e chegar a 90% em 2011, informa o delegado Carlos Eduardo Miguel Sobral,
chefe da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia
Federal.
Atualmente, há uma média de 100 a 150 quadrilhas especializadas
em fraudes eletrônicas atuando no País, afirma o delegado. Com
o projeto Pentáculo, em parceria com bancos privados, nos próximos
três meses, a Polícia Federal contará com um banco de dados
de todas as fraudes em internet banking e clonagem de cartões no País.
A operação contará com uma equipe de cerca de 80 pessoas
dedicada ao trabalho de análise e investigação de crimes
financeiros na web. "Vamos investigar as quadrilhas e não mais os
fatos por elas praticados", observa Sobral. "Com o uso das novas tecnologias
de análise sairemos das investigações com muito mais chances
de sucesso".
Com o novo sistema, o delegado espera eliminar 30 quadrilhas especializadas
em crimes digitais por ano. O investimento em infra-estrutura para estas operações
não foi revelado, mas segundo Sobral faz parte de um processo de modernização
da Polícia Federal realizado nos últimos dez anos.
Oráculo
Os crimes de invasão a sistemas serão combatidos por meio do projeto
Oráculo, que conta com o apoio do Centro de Tratamento de Incidentes
de Segurança em Redes de Computadores da Administração
Pública Federal (CTIR).
"Qualquer invasão requer várias tentativas, mas é
muito difícil investigá-las porque o criminoso apaga as provas",
afirma o delegado. "Para este tipo de crime, em particular, uma legislação
específica faz falta", observa.
Com o apoio do CTIR, segundo Sobral, será possível registrar
e analisar todas as tentativas de invasão para identificar as origens.
Turko, Trilha e Virtual Pharma
Fazendo um balanço da atuação da Polícia Federal
contra o cibercrime no País, este ano, o delegado destaca a Operação
Turko contra a pornografia infantil em redes sociais.
Realizada em maio deste ano, a operação batizada com um anagrama
de 'Orkut' cumpriu 92 mandados de busca e apreensão em 20 Estados e no
Distrito Federal, e efetuou cerca de dez prisões. "Esta foi a primeira
operação de combate a pornografia infantil deste porte no mundo",
observa o delegado. "Em 2009 tivemos uma boa atuação neste
campo", afirma.
Outros destaques do ano na avaliação do delegado foram a Operação
Trilha, que levou à prisão de mais de 80 pessoas suspeitas de
praticar golpes online, em maio deste ano, e a Operação Virtual
Pharma, deflagrada em junho para coibir a venda de medicamentos falsos na internet.
Esta última, em parceria com a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) é outra frente de combate da PF em 2010. "É
um problema de saúde pública", observa Sobral.