A Microsoft enfrenta uma leva de vulnerabilidades de dia-zero em alguns de seus
softwares mais importantes, conforme revelações feitas recentemente
de que há bugs não corrigidos em produtos como Windows XP, Internet
Explorer e até em seu servidor web.
Além de uma vulnerabilidade divulgada por um inflamado grupo de pesquisadores
de segurança que se autointitula ironicamente Microsoft Spurned Researcher
Collective (MSRC - mesma sigla que identifica o grupo de segurança da
Microsoft), a empresa foi informada de pelo menos três outras falhas nas
últimas semanas.
Na terça-feira (6/7), o pesquisador Soroush Dalili publicou informações
sobre uma vulnerabilidade no Internet Information Services (IIS), servidor web
da Microsoft.
De acordo com Dalili, que trabalha como analista de segurança da informação
na indústria de cassinos e jogos de azar, a autenticação
em versões antigas do IIS pode ser burlada, dando aos invasores uma porta
de entrada em qualquer esquema de assalto a um servidor web corporativo.
O bug pode ser explorado no IIS 5.1, mas não nas versões mais
recentes IIS 6, IIS 7 ou IIS 7.5, informou Dalili.
Ameaça minimizada
A Microsoft afirmou que investiga a vulnerabilidade. Mas, tal como respondeu
ao alerta de bug do grupo independente MSRC, a empresa minimizou a ameaça.
“O IIS não é instalado como um serviço padrão;
além disso, para se tornarem vulneráveis, os usuários teriam
que mudar a configuração padrão”, disse Jerry Bryant,
um gerente de grupo do Microsoft Security Response Center, por e-mail.
A rastreadora de vulnerabilidades Secunia classificou a ameaça como
“moderadamente crítica” – uma nota intermediária
em sua escala de cinco passos.
No começo da semana, Ruben Santamarta, um pesquisador da empresa espanhola
de segurança Wintercore, divulgou informações sobre uma
vulnerabilidade no Internet Explorer 8 (IE8) e publicou o código de ataque
– a falha afeta o IE8 em uso nos sistemas Windows XP, Vista e Windows
7.
Santamarta afirmou que o bug poderia ser utilizado para contornar duas barreiras
digitais embutidas no Windows, a Data Execution Prevention (DEP) e ASLR (Address
Space Layout Randomization).
Bug premiado
As técnicas que burlam o DEP e o ASLR não são nada novas:
em março, o pesquisador holandês Peter Vreugdenhil explorou uma
vulnerabilidade no IE8 sobre Windows 7 com um código de ataque que passou
por cima do DEP e do ASLR, uma façanha que lhe rendeu 10 mil dólares
na quarta edição do concurso anual Pwn2Own.
A Microsoft também minimizou a questão levantada por Santamarta,
o que não surpreendeu já que havia feito o mesmo ao comentar a
invasão ocorrida na Pwn2Own.
“Não se trata de um contorno direto de ASLR, e só funciona
sob certas condições”, disse Bryant. “Um invasor teria
de usar isso em conjunto com uma vulnerabilidade não corrigida se quiser
explorar um sistema.” No mesmo e-mail, Bryant recusou-se a chamar o bug
de vulnerabilidade de segurança. “Esta não é uma
vulnerabilidade, mas uma técnica que atenua uma defesa”, disse.
Brecha na biblioteca
No mês passado, alguém identificado apenas como “fl0 fl0w”
publicou código de exploração para uma falha em uma importante
biblioteca usada para desenvolver programas de terceiros por meio do pacote
de programação Visual Studio.
O bug na Microsoft Foundation Classes (MFC), um conjunto de bibliotecas de
código que dá acesso às APIs do Windows em programas escritos
em C++, pode ser explorado por meio de alguns softwares de terceiros escritos
com Visual Studio. O usuário “fl0 fl0w” disse que seu código
de ataque pode comprometer um PC com Windows via PowerZip, um utilitário
de arquivamento de baixo custo.
A Microsoft disse que sua investigação preliminar mostrou que
apenas que o Windows 2000 e o XP seriam vulneráveis ao ataque via MFC.
“Nós temos investigado as denúncias (...) e os manteremos
informados quando surgirem mais informações”, afirmou a
empresa em sua conta oficial de segurança no Twitter, na segunda-feira
(5/7).
Dedo da Google
Os quatro novos informes de falhas de dia-zero não são as únicas
dores-de-cabeça para os engenheiros de segurança da Microsoft.
Eles ainda não consertaram a falha crítica do Windows que foi
publicada no mês passado por Tavis Ormandy depois que a Microsoft não
se comprometeu com uma data para correção.
Ormandy, que trabalha para a equipe de segurança da Google, está
no centro de um debate entre pesquisadores, que questionam sua decisão
de tornar a brecha pública. O Microsoft-Spurned Researcher Collective
foi formado justamente como reação à sugestão feita
pela Microsoft de ligar as intenções de Ormandy a seu empregador.
Essa vulnerabilidade tem sido explorada ativamente por cibercriminosos desde
15 de junho.
A próxima publicação de correções da Microsoft,
a chamada Patch Tuesday, está prevista para 13 de julho. A empresa tem
mantido os lábios cerrados sobre se irá ou não consertar
a falha apontada por Ormandy. Mas, a julgar pelo que já fez no passado,
é bastante improvável que a Microsoft vá montar e testar
correções para as outras falhas de dia-zero a tempo de serem incluídas
no pacote de correções da semana que vem.
(Gregg Keizer)